LIVRO CÓSMICO
DESPERTAR ETÉREO
Despertei numa madrugada insipida, envolta pelo sussurrar etéreo ao meu ouvido, que dizia: "Ele não te pode ver." Contudo, a negação renasce em mim a cada amanhecer como um eco ressoando pela vastidão de um cosmos turbulento.
Acredito que um dia, entre as nebulosas deste livro cósmico, escrito pelas mãos de um fado melancólico ele me encontrará.
Dizem que os olhos são portais para a alma, e os seus são tão límpidos, dissolvem distâncias de solidão e desespero como poeira estelar perdida no infinito.
Seu olhar, como um feixe de luz, quebrou todas as barreiras impostas pelo mundo físico, implorando por vida.
Por segundos indistintos, viajamos juntos, alienados do cosmos, dois cisnes suspensos no abismo em uma dimensão, onde a primavera e o outono convergem e dançam em um giro harmonioso.
Escrevo com a simplicidade, de quem molda constelações nas palavras, buscando sentido nos sonhos que atravessam galáxias na obscuridade.
Gostaria que estas palavras fossem um adeus definitivo, para que a mágoa nunca mais nos tocasse.
Cada melodia que ressoa no cosmos, se torna parte deste amor primordial, tão celestial, tão puro, um sussurro divino que transcende a matéria.
É amor? Ou não é amor? Um sentimento que flutua entre dimensões impossível de ser contido.
Guarda-lo ou liberta-lo é algo intrínseco à essência que nos une. Algo tão teu, tão meu, tão nosso, que desafia as fronteiras da lógica humana.
Temo escorregar no vazio do desconhecido, na dúvida, e jamais encontrar o equilíbrio. Tento prosseguir, mas sou puxada de volta, percorrendo uma órbita que ambos conhecemos e, mesmo assim nos perdemos nela.
Ajustei os ciclos do tempo, mas ele teimosamente se atrasa. Para os que não compreendem, parece loucura, mas nós sabemos que somos versos do mesmo poema celestial.
As lágrimas que deslizam, apagando borrões da nossa sinfonia incompleta, tornam - se estrelas cadentes, iluminando nosso caminho.
No meu pensamento és uma luz brilhante que dança comigo, beijando uma existência ultratemporal.
Nossos passos desenham uma dança eterna, onde duas essências ancestrais se entrelaçam flutuando entre raios sorridentes.
E assim continuamos a navegar pelas nuvens cósmicas, entrelaçados pelo fio invisível da eternidade.
Somos caos, harmonia e juntos somos o universo a desdobrar - se em poesia.